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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

SONETO DE OUTONO

  Teus olhos perguntam claros cristal:
  "O que, meu estranho amante, em mim mais te excita?"
  -Por favor, cala-te! O meu coração que tudo irrita,
  Exceto a candura desse bem antigo animal,

  Não quer mostrar o seu segredo infernal,
  Balanço cuja mão ao sono profundo me incita,
  Nem sua lenda negra a fero e fogo escrita.
  Odeio a paixão e o espírito me faz mal!

  Vamos nos amar docemente. O amor na quarida,
  tenebroso, emboscado, estende o arco fatal.
  Eu conheço os troços do seu velho arsenal:

  Crime, horror e loucura! Ó pálida margarida!
  Não serás, por acaso, como eu um sol outonal?
  Ó minha branca, ó minha tão fria Margarida!


  Flores do Mal

  O amor segundo Charles Baudelaire

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